Viemos para a Tailândia com uma
certeza, não queríamos planear demasiado a viagem mas sim andar ao sabor do
vento e ver o que o universo tem para nos oferecer. Cada dia tem sido uma
agradável batalha para decidir onde ir, como o fazer, onde dormir, onde comer. Há
dias difíceis em que o cansaço se apodera de nós mas sabe estranhamente bem
esta sensação de estar completamente perdido, sem perceber nada do que está
escrito à nossa volta e sem ser compreendido pelas pessoas que nos rodeiam, sem
obrigações e com infinitas possibilidades à escolha.
Depois de 7 dias em Bangkok descemos de autocarro para sul,
Chumphon, a 500 km da capital. Inicialmente escolhemos esta cidade porque lemos que é um bom
ponto de paragem, com boas ligações para vários destinos. Sabíamos apenas que tínhamos de rumar para sul, onde começaremos o nosso voluntariado dentro de
alguns dias. O resto decidíamos depois.
Enquanto jantávamos
no terminal da central de autocarros, começou a dar o hino do Rei nos ecrãs.
Nesse momento, todos interromperam o que
quer que estivessem a fazer e prontamente se levantaram permanecendo estáticos
e em silêncio até este terminar. O respeito e a devoção pelo Rei parecem ser
imensos, imagens deste e da Rainha aparecem constantemente espalhadas por todo
o Reino em outdoors gigantes, templos, altares de casas e lojas, posters,
pendentes, notas e moedas, etc.. Desrespeitar a realeza chega a ser fortemente
punível.
O que pensávamos
ser uma comum viagem de autocarro acabou por se revelar uma caixinha de
surpresas. Assim que nos sentamos foi-nos gentilmente oferecido uma garrafa de
água e um sumo de frutas e legumes! Mantas e almofadas também estão à
disposição de todos. A meio da viagem
fizemos uma paragem e fomos convidados a
jantar num salão onde mesas rotativas estavam já postas e com uma sopinha e
alguns petiscos prontos, à nossa espera. “For free” informavam-nos eles.



